medo - aquela palavra que anda na cabeça de todos nós, mas que evitamos dizer.
quase como aqueles pensamentos de que fugimos, na esperança vâ que dessa forma não aconteçam. mas aos poucos as fichas vão-nos caindo. dia após dia, o medo vai-nos invadindo o peito. é normal. só os inconscientes e os loucos não sentem isso. primeiro o medo a cada tosse, a cada espirro, a cada suspeita de febre. depois o medo da distância, de perdermos o contacto com os nossos, de não aguentarmos a falta do abraço - ou, por oposto, de não aguentarmos tanta presença em permanência, mesmo de quem tanto gostamos. e o medo pelos outros. porque vai haver sempre um nosso a que vai chegar esta merda. esse, é o maior medo.
mas assalta-nos ainda o medo do futuro. o que vai ser de nós depois disto. ou sequer saber quando vai ser esse depois? uns já ficaram sem emprego, sem rendimento. outros começam a ficar perdidos no trabalho que já não conseguem fazer. e os que tem trabalhado, cansados desta nova forma - por ser permanente - de trabalhar à distância. e imagino a luta dos que andam no terreno.. obrigado! e a economia, o que construímos e que em poucas semanas caíu. e o desemprego, a crise, a dívida. tantas palavras que já achávamos guardadas no baú. mas como sempre, havemos de superar. até porque agora a causa não foi ganância de alguns. e por isso, a minha esperança que seja mais fácil juntar o apoio de todos.
e ainda em modo esperança, lembrar-me que foi sempre o medo, a sensação de dor, que nos protegeu na vida. que nos inibe de comportamentos de risco. então, que seja também agora o medo algo que nos faça crescer. que o medo de ficar doente, que nos faça proteger. que o medo do futuro que nos faça preparar planos a, b e c, de preparar um recomeço. mas acima de tudo, que o medo da solidão nos faça ficar mais próximos. que nos liberte as lágrimas que teimamos em prender. que nos faça gritar de desespero quando tiver de ser. e que nos dê a coragem de, quando for preciso, telefonar a um amigo, a um médico, a quem nos apoie. porque o medo pode tudo, menos paralisar-nos.
e que a primeira boa acção de cada um seja ver se à nossa volta não há ninguém que, por medo, está calado. e sozinho.