lá foi mais um. o humor, o bom, tem o seu momento.
passa depressa, mas sabe bem como o caraças.
as gargalhadas soltas lá do fundo, quando os sentidos se associam em complot:
a inteligência, o sentido de oportunidade, o sarcasmo fino, o tempo perfeito.
junta-se a expressão corporal e a sapiência de ter piada. diferente de fazer piadas.
e assim, contente da vida, lá vou chorando de riso em sequências perfeitas:
yes minister, allô allô, cheers, o tal canal, blackadder, mash, seinfeld, esmiuça.. o'brein.
agora fica o jon stewart para manter as hostes, até próxima leva.
[a gerência deste espaço agradece o patrocÃnio da BBC, da 2, e dos canais por cabo]
eu quero que me perceba, a minha esposa é maravilhosa, realmente maravilhosa. não me interprete mal. mas é incapaz de discutir Pound comigo. ou Eliot. não sabia isso quando me casei. compreenda, eu preciso de uma mulher cujo espÃrito me estimule. e não me importo de pagar. não procuro uma relação duradoura.. apenas uma experiência intelectual rápida. Depois, a rapariga que despareça. Kaiser, eu sou um homem bem casado e feliz!
# excerto de "a prostituta de Mensa" _ Woody Allen
muda-se o ano, troca-se a agenda. o diário, não das confissões, mas do registo do que se passou.
trabalho, prazeres da vida, chatices e o caminho das soluções.
rever a agenda é sempre uma boa forma de fazer o balanço do ano que fecha (e da década).
mas o melhor é mesmo abrir a nova, ainda com a capa preta imaculada, as folhas vazias,
organizadamente sóbrias e limpas no tom docemente pastel. ainda respira tranquilidade,
à espera das reuniões, as notas, os concertos, as viagens, os jantares.
que melhor começo todos os anos, do que ter o mesmo caderno de sempre,
mas de novo cheio de folhas limpas para encher de optimismo. todos os dias.
*agenda = moleskine
' é um clássico, a agenda para os puristas, para quem gosta de ir directo ao assunto sem ser interrompido por imagens, poemas e outros que tais.' para mim, mantenho-me fiel ao modelo semanal, em capa dura, com bolsa na contra-capa.
em dois tamanhos, para duas agendas paralelas. ah, e o porta-documentos em tamanho super A4.
para começar o ano em espÃrito tranquilamente intenso:
dj disse_ walk on the wild side..
+ thievery corporation feat nina simone_feelin' good + milky lasers_ i'm in love
+ club des belugas_take three + the juju orchestra_kinf of a latin rhytm + povo feat ed thigpen_good&bad
+ putumayo&emo_in the back of the car + bid feat seu jorge_e depois + visioneers_dirty old bossa nova
+ bossa nova ville_ the girl from ipanema + s-tone inc_ainda sonhar + nicola conte_bossanova
+ dizzy gillespie_one note samba + nancy wilson_one note samba + damien rice_desafinado
+ nina simone verve remixed_black is the color +lisa bassenge_all i need
+ bye bye_ deja move + billie holiday_ speak low + the dining rooms_ U
para o natal ser perfeito tirava-lhe os presentes.
ficava só os jantares em famÃlia, os dias de férias, as conversas aquecidas na lareira.
a parte dos centros comerciais e dos sacos de compra dispensava-se.
por outro lado, a coisa vai-se simplificando com o tempo.
costumo dividir os presentes em 3 'labels':
os que tem de ser, os fáceis e os que queria para mim.
os que tem de ser, são simples: com critério, algo com bom gosto que encaixe no orçamento previsto.
que não deixem ficar mal e que marquem discretamente. enough.
os fáceis são aqueles que já nos pediram ou nos deram pistas. 'basta' encontrá-los.
agora, os que dá gosto oferecer são aqueles em que no momento do embrulho,
ficamos sempre hesitantes: compro a dobrar, e resgato um belo exemplar?
dão trabalho, porque não se encontram em qualquer esquina.
tem de se enquadrar com a pessoa, com o momento, com o perfil.
este ano, foi uma jarra da spal. jazz de seu nome. um arco disforme com um solitário mÃnimo no topo.
para já foi oferecida. mas em breve há-de pousar lá por casa uma réplica original..
nunca acreditei no tempo. chamem-me o que quiserem, mas o tempo é apenas uma forma de nos atrasarmos todos uns em relação aos outros.
antes de tudo, a fórmula por que é encontrado o tempo é um pecaminoso ultraje egocêntrico. como se pode apurar o tempo a partir da rotação da Terra? é quase tão segregador quanto quando se pensava que a Terra era o centro de tudo, quando não passa de um insignificante objecto periférico. se tem de ser um planeta a decidir o tempo, eu quero que o meu tempo seja o de Plutão, um planeta tÃmido, que não se importa de ser o último da lista. e porque tem de ser um movimento de rotação? não porque seja básico, é apenas cÃclico. sempre gostei de ângulos rectos. se tenho de me guiar por alguma coisa, que seja algo que ande em ângulo recto.
é terrÃvel poder escolher religião, partido, nacionalidade, profissão, prato favorito, cor das meias, azulejos da casa de banho, gasolina 98 ou 95, papel higiénico folha única, dupla ou tripla, tamanho do nariz, tampão ou penso, as pedras que se pisam, a chuva que se apanha e não poder escolher a medida de tempo que toda a vida nos vai limitar a existência. '
adaptado do amigo manel aka alexandre louro
aplicar as nossas forças nele, apoiá-lo no peito, segurá-lo com o queixo e com os joelhos, envolvê-lo com os braços, vigiando-o com os olhos, ouvidos e senti-lo com o coração..'
a simplicidade de um só instrumento, mas cheio de um paleta brutal de sons e notas. mas mais, a simplicidade do virtuosismo- ou o extremo bom gosto musical - de quem tocava, em solo, ao canto da sala, em pleno gozo próprio.
a maioria dos portugueses não tem sentido de humor. são humoristas apenas no sentido de saber contar anedotas. riem-se e gostam de dizer piadas, mas isso não é um sentido. é um desporto.
um sentido é ver ou cheirar. tem-se. um desporto é correr ou saltar. escolhe-se. essa é a diferença.
o que falta aos portugueses é a permanência do humor, que é a ironia.
quando existe, está sempre ligada, até nas piores situações. especialmente nas piores situações.
e não é sermos capazes de rirmo-nos de tudo. é antes o talento mórbido - mas hilariante - de ser capaz de descobrir no mais trágico ou entediante episódio o tesouro escondido que nos deixa rir dele.
ter sentido de humor é cada um rir-se de si próprio sem a ajuda ou a presença de mais ninguém.
não é um exercÃcio que se faz para divertir os outros. é um reflexo incontornável perante os acidentes da vida que tem uma recompensa muito maior do que o divertimento dos outros. a recompensa do humor é acompanhar (e reduzir um bocadinho) o nosso sofrimento com um visão externa do ridÃculo ou irónico do que nos aconteceu. a canção de Jorge Palma tem, afinal, toda a razão: 'deixem-me rir'.
ou seja: não me impeçam, não me proÃbam de ter a mais saudável reacção que se possa ter..
' excerto de crónica de Miguel Esteves Cardoso, na revista do i: nós, humoristas
' o senhor que eu achava o máximo da elegância e simpatia e frequentava o 11º, 2º esquerdo da Alameda, em dias festivos, prontificando-se sempre para ir buscar as tias Adelina e Ivone a casa no seu lindo BMW preto; esse senhor, era um Marialva. ponto final.
era atencioso, fazia coisas que os outros homens não faziam, que apesar de ser como era (isto é: rico, exagerado, um tudo-nada fadista), era um homem de gestos elegantes e que sabia, como ninguém, comportar-se à mesa. nele se misturam pequenas doses de libertinagem, o cinismo tÃpico dos privilegiados ou dos aristocratas, sei lá, a que eu achava imensa piada, e que era dotado entre outras merdas que nem vale a pena falar, de um estado de alma muito sui generis que misturava sempre saudade com outra tristeza qualquer e que aos meus olhos o transformava sempre num caixeiro-viajante de visita à familia, com o ar aptecÃvel das coisas perigosas e dificeis..
' mónica marques, crónica na revista do i: nós, marialvas

há filmes assim: divertem, entusiasmam, deixam-nos bem dispostos,
e com uma vontade demasiada de fazer o que nos der na gana! só andamos cá uma vez porra..
os irmãos bloom tem argumento entre um tarantino soft e um woody allen menos depressivo.
tem o ritmo dos ocean's, mas num grupo a 4, numa corrida idiota tipo irmãos cohen.
os rapazes tentam dar os mais brilhantes golpes, num mood muito britsih, a fazer lembrar 'a golpada'.
basicamente passeiam num barco português entre new jersey e saint petersburg,
para falar com um belga e rebentar uns edifÃcios, sempre com boa música em fundo.
'let's look at the traila'
tu, foste como um dia de folga entre dois compromissos adiados.
e é a lembrança dessa felicidade que me ilumina as palavras.
não digo que te amei por ter possuÃdo o teu corpo, mas sim por ter roçado a tua alma.
se pudesse estar apenas perto de ti, a ouvir a tua voz,
a demorar o meu olhar sobre o teu, ter-te-ia amado na mesma..
fiquei preso no que está para lá do visÃvel; enredado entre as folhas da tua verdadeira essência.
não sei se ainda és aquela que encontrei. mas, naquela tarde,
sozinhos entre as paredes frescas da casa, foste, definitivamente tudo.
excerto do livro "segura-te ao meu peito em chamas" _ Possidónio Cachapa
da evolução da espécie:
as mulheres tem mais desenvolvido o hemisfério direito superior do cérebro,
que é o intuitivo, poético e artÃstico. e perspicaz.
os homens, desenvolveram mais o hemisfério esquerdo superior:
o do pragmatismo, sentido prático, objectividade (básicos, mas práticos).
no entanto, surgiram recentemente, um novo tipo de homens e mulheres:
os que desenvolveram os dois hemisférios e não perderam as suas caracterÃsticas definidoras.
ie, mulheres práticas, pragmáticas, excelentes profissionais, mas que continuam doces, sensuais e femininas.
e homens com sensibilidade, envolventes, com capacidades domésticas (como cozinhar), mas continuando práticos, bons profissionais, chefes de equipa.
o resultado?
entendem-se melhor, estes que evoluÃram. afinal conseguem pensar da mesma maneira. no mesmo mood.
identificam-se pela partilha de gostos, mesmo que diferentes. pela abertura de espÃrito para a novidade.
pela capacidade de saber viver melhor.
'porque eu não quero teu ciúme que é o cúmulo
ciúme é o cúmulo de dúvida, incerteza de si mesmo, projectado no outro,
jogado como lama anti-erótica na cara do desejo mais intenso de ficar com a pessoa'
katia b
felizmente não sou ciumento. ou pelo menos não o projecto.
o que me tem provocado muitos dissabores na vida:
a acusação tÃpica - se não tens ciúmes é porque não gostas!.. pois, o que eu gosto é de não ter ciúmes.
de não ter vontade (necessidade) de controlar, de saber, de estar por perto. assim, embora pareça desligado, consigo ter a maior certeza que nenhuma pessoa ciumenta consegue ter:
- se alguém está comigo ao fim do dia, é porque quer muito. não é porque eu a 'obriguei'!
sounds for grey&boring days
parovstelar_nightintorino + guiboratto_noturningback
keep walking..
substantivo feminino
def: qualidade do que está em toda parte, do que é ubÃquo. omnipresença.
faculdade de estar presente em diversos lugares no mesmo instante.
no meio do tempo sempre pouco, Ã s vezes quase que me sinto ubÃquo.
entre 2 empregos, n projectos, um mestrado, amigos espalhados por todo o lado, famÃlia e uma casa completa, o tempo para tudo isto nunca sobra. a somar ainda a vontade irritantemente constante de ver, ouvir, caminhar, ler, discutir, conhecer. viver.
este fim-de-semana foi uma maratona em ritmo de 100m barreiras. das 6h30 da manhã de sábado até as 7h de domingo foi viver intensamente: trabalho, mestrado, telefonemas, viagem, famÃlia, mensagens, viagem, amigos, emails, música, conversa, amigos, viagem. o corpo cansado caiu abraçado no sono. o espÃrito encheu as baterias para mais uns dias. ubÃquo? quase..
neste sentido a unicidade e espontaneidade do flaneur perderam-se: ele era uno e poderia apenas caminhar pelo percurso que estabelecia diariamente, entre ruas e calçada..
por outro lado, embora sendo apenas um espÃrito e um corpo, podemos agora estar em multi-estados e multi-locais. com critério, podemos viver mais, experienciar e conhecer mais. embora no mesmo corpo e no mesmo tempo. virtudes (ou não) da virtualização.
pessoas que falam sobre qualquer coisa, pessoas que conseguem dormir em qualquer lado, pessoas que encontram sempre lugar para estacionar, pessoas que vão ao ginásio e gostam, casas bem decoradas, o cabelo dos outros, pessoas que comem de tudo, pessoas que saltam da cama alegremente, pessoas que conseguem fazer dez coisas ao mesmo tempo, pessoas que conhecem outras pessoas facilmente..
assim, no Ãndice (revista nós) das vinte mais da inveja que os outros têm, em dez estou lá. ora, bem bom.
de perfume barato, caro, de roupa nova, suja, de mata, de quotidiano, de rotina, de amor, de paixão,
de lembrança, de vontade, de tristeza, de silêncio, de dor?
porque desde o inÃcio, se busca descobrir o cheiro e o gosto de uma mulher.
mesmo que ela esteja ali, sentada no sofá, de pernas cruzadas,
segurando os pés protegidos pela meia de algodão e os tamancos sobre as pernas.
ouvindo e cantarolando a música que os outros cantam e dançam.
talvez um chico buarque, um caetano, um gil, um tom zé, um tom jobim, um vinÃcius de moraes..
e o que ela só espera, é que alguém sente ao seu lado, lhe diga algumas palavras e a convide para dançar.
ou que apenas lhe dê o encosto. no vão seguro entre o ombro e o pescoço.
sem palavras. sem perguntas. ouvindo e cantarolando a música que os outros cantam..
' adaptado de castaman
